Estudo de pesquisadores do Facebook causa polêmica na internet

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pesquisa facebook polêmicaPesquisadores ligados ao Facebook causaram polêmica ao analisar o efeito de posts positivos e negativos nos sentimentos dos internautas. O objetivo deles era verificar se há uma espécie de “contágio emocional em massa” nas redes sociais.

Para isso, eles alteraram a visualização do Feed de mais de 600 mil pessoas que utilizavam o Facebook em inglês – parte teve reduzidos os posts considerados positivos, parte teve reduzidos os negativos.

As pessoas que tiveram o Feed alterado, no entanto, não foram voluntárias: os pesquisadores se utilizaram dos dados com base na Política de Uso do Facebook. Ao realizar o cadastro na rede social, os internautas implicitamente concordam com a utilização de seus perfis para testes e pesquisas do tipo.

O uso desse tipo de amostragem gerou indignação na internet. Segundo reportagem da BBC, um órgão regulador britânico está inclusive investigando a legalidade da forma que a pesquisa foi realizada.

O estudo analisou as postagens desses internautas após terem contato com o Feed alterado. Os pesquisadores concluíram que, ao serem reduzidas as expressões positivas, as pessoas produziam menos posts positivos e mais posts negativos. Quando as expressões negativas foram reduzidas, ocorreu o inverso, o que sugeria, segundo eles, que as emoções das pessoas podem ser afetadas por ações na rede social.

Com base nessa conclusão, alguns internautas chegaram a cogitar a possibilidade de o Facebook alterar o Feed, incluindo apenas os posts positivos, para aumentar o uso de sua rede social – os internautas teriam uma experiência mais agradável e feliz se vissem só postagens com o lado bom da vida, deduziram.

Contudo, o estudo não nos permite extrapolar seus resultados para tanto. Aliás, a validade deles pode ser questionada, uma vez que os usuários que tiveram seu Feed alterado não passaram por uma avaliação presencial – ou, pelo menos, por uma avaliação humana. Os sentimentos foram categorizados como positivos ou negativos por um software, e o estudo não descreve se houve checagem humana posterior.

Você, analista de social media, provavelmente já trabalhou com um software de monitoramento que faz a categorização dos posts como positivos, negativos ou neutros. Muitas vezes você teve de alterar a categorização automática realizada pelo software, certo? E diversas mensagens são classificadas como neutras, não é mesmo? Só que, no estudo, não foram definidas postagens neutras, e a classificação automática não teria passado por revisão. Assim, apesar de o estudo ter tido um grupo controle, a validade científica dos resultados obtidos fica prejudicada: quem teria visto mais postagens positivas pode não ter visto mais postagens positivas na realidade. E, nesse caso, os resultados obtidos podem ter sido obra do acaso.

Confira o relatório completo da pesquisa aqui.

 

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